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quinta-feira, 14 de maio de 2026

 O Estrangeiro como Espelho: Xenofobia, Ódio Social e a Crise da Imaginação Democrática


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Brasil, 2026.  Este texto foi criado com auxílio das  IAs Claude Sonnet 4.6 e Claude Opus 4.6 .— Responsável: Ingo Dietrich Söhngen


Imagine que você está num escritório. Entra um cliente. Ele não precisa explicar o que aconteceu — você já reconhece a expressão. Alguém o chamou de invasor. Alguém sugeriu que ele "voltasse para o lugar de onde veio". Alguém ameaçou denunciá-lo a alguma autoridade, não por nada que ele tenha feito, mas pelo que ele representa: o diferente, o de fora, o que não pertence.

Este texto nasceu da necessidade de entender o que está por trás dessa cena. Não como abstração filosófica, mas como fenômeno concreto, cotidiano, com consequências jurídicas, políticas e humanas muito reais.


Parte I — O Problema que Não Diz o Nome

A xenofobia costuma ser apresentada como coisa de longe: o europeu que fecha a fronteira para o refugiado, o americano que grita contra o mexicano, o governo autoritário que persegue minorias étnicas em algum ponto distante do mapa. Parece um problema dos outros.

Mas em algum momento desta semana, num bairro de Boa Vista, em Roraima, uma família venezuelana acordou sem saber se hoje haverá trabalho ou hostilidade. Numa sobreloja do Brás, em São Paulo, um boliviano costura há catorze horas seguidas uma roupa que será vendida com etiqueta brasileira a um consumidor que jamais pensará nele. Em algum canto de Florianópolis, um haitiano com diploma universitário ouve pela terceira vez que "não tem vaga" — dito com sorriso, sem registro, sem prova, sem recurso.

E depois das últimas eleições, nas redes sociais brasileiras, nordestinos foram xingados, ameaçados e tratados como invasores do próprio país — como se o direito de votar diferente fosse um passaporte revogável.

A xenofobia nunca chega dizendo seu nome completo. Ela entra pela porta dos fundos, disfarçada de preocupação econômica, de defesa da cultura nacional, de proteção da família, de ordem urbana, de patriotismo. Raramente começa com campos de concentração. Começa com piadas. Com sotaques ridicularizados. Com "essa gente vem cá só para usar nossos serviços". Com "deportem ela."

Foi essa última frase — brutal em sua simplicidade — que apareceu dirigida a Jad Holland (Jadzia Bigheti), uma brasileira de 29 anos, natural de São Paulo,    casada com um norte-americano (Hansen Holland), que produz conteúdo sobre viagens e diferenças culturais nas redes sociais. Os ataques que ela recebeu não eram brincadeiras de internet: eram xenofobia, racismo e humilhação concentrados em frases como "go back where you came from", críticas ao sotaque, ameaças de denúncia ao serviço de imigração americano — mesmo ela sendo residente legal. O caso ilustra algo importante: a xenofobia não precisa de irregularidade para funcionar. Ela se alimenta de diferença percebida, não de status documental. Para saber mais leia: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2026/05/05/deportem-ela-brasileira-casada-com-americano-expoe-xenofobia-nos-eua.ghtm


Parte II — Nomeando o Fenômeno

Antes de avançar, vale uma distinção que o rigor — mesmo fora da academia — exige.

Xenofobia é a hostilidade ao estrangeiro ou a quem é percebido como estrangeiro. Racismo é a hierarquização de grupos com base em critérios raciais. Aporofobia — termo cunhado pela filósofa espanhola Adela Cortina — é a rejeição ao pobre enquanto pobre, independentemente de sua origem. E o regionalismo discriminatório é a hostilidade contra pessoas de determinadas regiões internas de um mesmo país.

No Brasil, esses fenômenos convivem tão intimamente que parecem gêmeos. Um haitiano negro e pobre sofre xenofobia, racismo e aporofobia ao mesmo tempo. Um boliviano nas oficinas de costura de São Paulo sofre xenofobia, exploração laboral e desprezo de classe — tudo embalado numa invisibilidade confortável para quem se beneficia do preço baixo da roupa.

Isso nos leva a um conceito central neste texto: a estrangeirização social.

Estrangeirização social é o processo pelo qual uma sociedade transforma determinados grupos em intrusos — mesmo dentro de espaços que formalmente também lhes pertencem. Não exige passaporte. Opera por sotaque, fenótipo, endereço, classe, religião, região de origem. Produz estrangeiros onde, formalmente, só há concidadãos.

O sociólogo alemão Georg Simmel definiu o estrangeiro, já em 1908, como "aquele que chegou hoje e ficou amanhã" — alguém que não é o viajante passageiro, mas também não é o habitante pleno. Sua presença perturba precisamente porque é permanente sem ser reconhecida. Essa é a condição do nordestino em São Paulo, do indígena em Brasília, do morador da Maré no Leblon. A estrangeirização social é a operação que antecede a xenofobia visível: antes de odiar o outro, é preciso produzi-lo como outro.


 

Parte III — A Pergunta que Importa


Existe uma pergunta que os historiadores sabem responder, e existe a pergunta que realmente incomoda.

A primeira é: o que causou a Primeira Guerra Mundial? O que causou a Segunda? Essas têm respostas — não simples, não unânimes, mas legítimas e bem documentadas. Fritz Fischer, nos anos 1960, apontou o dedo para a Alemanha e seu projeto imperial expansionista antes mesmo de 1914. Margaret MacMillan, com mais nuance, mostrou como uma série de decisões ruins, tomadas por homens que poderiam ter escolhido diferente, foi selando o destino do continente. A.J.P. Taylor provocou meio mundo ao sugerir que Hitler foi, em parte, um oportunista que soube aproveitar as brechas que os outros deixaram abrir. Ian Kershaw passou décadas destrinchando como uma democracia frágil se transformou em máquina de extermínio.

Imperialismo. Nacionalismos exacerbados. Sistemas de aliança que transformavam qualquer faísca local em incêndio continental. A humilhação de Versalhes, que não fez paz — fez uma fatura. A crise econômica de 1929, que esvaziou a classe média europeia e a entregou de bandeja a quem prometesse um culpado. O antissemitismo de séculos como substrato sempre disponível. O medo do comunismo como combustível para o fascismo. A crise do liberalismo que não sabia mais o que defender nem como.

Tudo isso importa. Tudo isso é real e necessário.

Mas para este artigo, a pergunta mais fértil é outra, mais incômoda, mais presente: que condições tornam o ódio ao outro politicamente rentável e socialmente aceitável?

É essa pergunta que liga 1914 a 1939, 1939 a 2026, a Europa ao Brasil, as fronteiras nacionais às redes sociais, o discurso de Estado ao comentário de internet. É ela que faz a história doer — porque não fala só do passado. Fala do agora.

Existe um poema curto, escrito pelo pastor protestante alemão Martin Niemöller, que sobreviveu ao campo de concentração de Dachau. Existem várias versões; esta é a mais conhecida:

Primeiro vieram pelos comunistas, e eu não falei nada, porque não era comunista.

Depois vieram pelos sindicalistas, e eu não falei nada, porque não era sindicalista.

Depois vieram pelos judeus, e eu não falei nada, porque não era judeu.

Quando vieram por mim, já não havia mais ninguém para falar.

 

Niemöller não escreveu isso como exercício filosófico. Escreveu como confissão. Ele próprio havia apoiado Hitler no início, acreditando que o nazismo era proteção contra o comunismo. O poema é um ato de autocrítica escrito com sangue próprio. E o que ele descreve não é a história de monstros. É a história de pessoas razoáveis que decidiram, uma vez atrás da outra, que aquilo não era problema delas.

É exatamente aí que a pergunta que importa encaixa. Nenhuma sociedade acorda uma manhã e decide ser bárbara. A barbárie raramente aparece como barbárie no primeiro ato. Ela aparece como prudência. Como realismo. Como proteção dos nossos. Como não sou xenófobo, mas...

 

Esse "mas" é uma das partículas mais perigosas da linguagem política moderna. Ele não nega o preconceito — ele o inaugura com álibi.

O início do século XX não foi apenas uma época de guerras entre Estados. Foi também um laboratório de classificação humana. A Europa que se via como centro da civilização havia passado séculos treinando no mundo colonial a arte de dividir seres humanos entre superiores e inferiores, civilizados e bárbaros, administradores e administrados. Hannah Arendt percebeu isso com a lucidez de quem faz arqueologia de um desastre com as próprias mãos ainda queimadas. Em Origens do Totalitarismo (1951) — escrito enquanto os campos ainda estavam sendo fotografados —, ela mostrou que antes de a Europa aplicar métodos de desumanização dentro do próprio continente, ela os havia experimentado fora dele. Com outros corpos. Em outros territórios. Longe dos olhos de quem, décadas depois, fingiria espanto.

Arendt era filósofa, judia, alemã, refugiada — ela própria uma apátrida antes de conseguir cidadania americana. Sua tese central é que o totalitarismo não é apenas tirania com mais força. É algo sem precedente: um regime que não quer apenas controlar as pessoas, mas destruir a própria categoria de pessoa. Para isso, precisa de matéria-prima ideológica. E a xenofobia racial fornece-a com eficiência brutal: transforma seres humanos concretos em abstrações ameaçadoras. O imigrante deixa de ser alguém. Vira o problema. O refugiado perde o rosto. Vira a crise. A desumanização opera assim — não elimina o corpo primeiro. Elimina o nome.

O colonialismo foi a escola prática desse processo. Nele, populações inteiras puderam ser tratadas como obstáculo logístico, mão de obra descartável, recurso a explorar, número em relatório administrativo. Quando essa lógica cruzou o Mediterrâneo de volta e se instalou no coração da Europa, não chegou como novidade. Chegou como método já testado, com vocabulário consolidado e a consciência relativamente tranquila de quem já fez aquilo antes — e o mundo, naquela época, não tremeu.

O conceito mais cortante de Arendt para o que estamos discutindo é o de apátrida — não simplesmente o sem-pátria, mas o sem-direito-a-ter-direitos. O apátrida, o refugiado, o imigrante sem documentos está nessa zona de sombra: existe biologicamente, respira, sente fome, sente medo, ocupa espaço. Mas juridicamente é quase nada. Não é cidadão em lugar nenhum. Não tem a quem recorrer. É supérfluo — no sentido mais técnico e aterrorizante que Arendt dá a essa palavra.

Ela escreveu isso nos anos 1940. Em 2026, com campos de detenção de imigrantes nos Estados Unidos, com milhares de corpos sem nome no fundo do Mediterrâneo, com crianças separadas dos pais em zonas de fronteira, o diagnóstico não envelheceu um único dia. Apenas mudou de endereço — e multiplicou-se.

A pergunta que importa, portanto, não é só histórica. É operacional. É sobre o presente. É sobre as condições que permitem que uma sociedade olhe para o sofrimento do outro e decida, tranquilamente, que não é problema dela.

Como Niemöller descobriu tarde demais: sempre é.


Parte IV — O Brasil no Espelho



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O Brasil adora denunciar o racismo americano, a xenofobia europeia, o colonialismo alheio. Muitas vezes com razão. Mas também com um certo prazer narcísico, como se a crítica ao outro nos absolvesse de nós mesmos.

Sérgio Buarque de Holanda descreveu o "homem cordial" — aquele que trata o outro com aparente afabilidade, mas organiza a exclusão na intimidade das relações pessoais, longe dos holofotes. A cordialidade brasileira não é ausência de preconceito: é sua forma mais elegante.

Mas a análise mais incisiva da desigualdade estrutural do Brasil vem de outros pensadores que o país ainda lê pouco, apesar de serem nossos. Florestan Fernandes, em A integração do negro na sociedade de classes (1964), demonstrou que a abolição formal da escravidão não criou igualdade — apenas reorganizou a exclusão em termos mais discretos. O negro foi "libertado" sem-terra, sem educação, sem capital, e imediatamente substituído, no mercado de trabalho mais qualificado, pelo imigrante europeu subsidiado pelo Estado. A hierarquia persistiu; mudou de roupa.

Silvio Almeida, em Racismo estrutural (2018) — talvez o livro mais lido no Brasil sobre o tema na última década —, lembra que o racismo não é um desvio do sistema: é o sistema funcionando normalmente. Não é produto de indivíduos malvados ou de situações excepcionais. É o modo como instituições, mercados e práticas cotidianas reproduzem hierarquias raciais sem que ninguém precise ter "má intenção". Isso se aplica igualmente à xenofobia: ela não precisa de fanáticos para funcionar. Precisa apenas de normalidade.

Jessé Souza, em A ralé brasileira (2009), descreve uma classe inteira de brasileiros que nunca foi plenamente integrada à cidadania — não por falta de esforço, mas porque o sistema foi desenhado para mantê-los na margem. São os invisíveis do shopping, os que entram pela porta de serviço, os que têm acesso aos espaços, mas não ao pertencimento. Jessé chama isso de "subcidadania" — e ela se aplica perfeitamente à figura do imigrante informal, do refugiado sem documentação, do migrante interno sem rede social.

O resultado é uma xenofobia de classe, menos comentada, mas profundamente brasileira. O pobre é estrangeiro no shopping. O morador da periferia é estrangeiro nos bairros nobres. A empregada doméstica foi e (é ainda) durante décadas uma estrangeira íntima: entra(va) na casa, conhec(e)ia os filhos, cozinha(va) a comida — mas não pertenc(e)ia ao mundo da família. O elevador de serviço (é) foi uma fronteira internacional dentro do mesmo edifício.

E há o mito da democracia racial — a ideia de que o Brasil é naturalmente tolerante, miscigenado, acolhedor. Gilberto Freyre construiu esse imaginário. Abdias do Nascimento, em O genocídio do negro brasileiro (1978), desmontou-o: a miscigenação brasileira não foi encontro harmônico de culturas — foi, em grande medida, produto de violência sexual, apagamento cultural e branqueamento forçado. O mito da cordialidade protege o preconceito ao torná-lo impronunciável.


Parte V — O Que os Teóricos Nos Ensinam

Seis pensadores, lidos em conjunto, formam uma espécie de mapa para entender como a xenofobia funciona — e por que ela persiste.

Gordon Allport (A Natureza do Preconceito, 1954), psicólogo social de Harvard, propôs uma escala de intensidade que vai da fala ofensiva ao extermínio físico, passando pela discriminação, pela segregação e pela violência. Esses estágios não são saltos quânticos: são uma rampa contínua. Cada degrau normaliza o seguinte. Quando uma sociedade tolera que se chame um imigrante de "praga" sem consequências, ela está instalando a infraestrutura psíquica para os degraus seguintes.

Hannah Arendt (Origens do Totalitarismo, 1951) nos dá a dimensão política: a desumanização como técnica de governo. Arendt descreveu como certas populações são tornadas "supérfluas" — pessoas que o sistema econômico já não precisa e que, progressivamente, o sistema político decide que também pode dispensar. Primeiro torna o outro invisível. Depois, indesejável. Depois, removível.

C. Wright Mills (A Imaginação Sociológica, 1959) nos ensina a não errar o endereço do problema. O boliviano explorado numa oficina de costura não tem um "problema pessoal de integração" — ele está no cruzamento de políticas migratórias omissas, fiscalização trabalhista inexistente e demanda de consumo que prefere não saber de onde vêm as roupas baratas. O problema não é dele. É do sistema que o invisibilizou.

Ernesto Laclau (A Razão Populista, 2005) explica por que a xenofobia funciona tão bem como discurso político. O populismo constrói identidade dividindo o mundo em dois campos: o povo puro e o inimigo que o ameaça. Esse inimigo não precisa ser real — precisa ser crível. O imigrante, o nordestino, o "comunista" viram o nome coletivo de uma ameaça que, no fundo, tem outro endereço. Trump não inventou a xenofobia americana — encontrou a fórmula discursiva que a tornou eleitoralmente produtiva. Bolsonaro fez o mesmo com a xenofobia interna brasileira.

Christopher Browning (Homens Comuns, 1992) estudou um batalhão alemão comum — não fanáticos nazistas, mas policiais de meia-idade, pais de família — que participaram de massacres na Polônia ocupada. Sua conclusão é perturbadora: a barbárie não precisa de monstros. Precisa de conformidade, pressão de grupo e ausência de resistência. A crueldade com o outro raramente é exercida por seres excepcionalmente malvados. É exercida por pessoas comuns que pararam de ver o outro como pessoa.

Shoshana Zuboff (A Era do Capitalismo de Vigilância, 2019) fecha o sistema explicando o papel das redes sociais. As plataformas digitais não apenas transmitem ódio — elas o rentabilizam. O algoritmo não tem ideologia: tem métrica de engajamento. E o conteúdo que mais engaja é o que provoca medo, raiva e indignação. A xenofobia nas redes não é um efeito colateral. É, em certo sentido, um modelo de negócio.


Parte VI — O Mundo em 2026


Nota conceitual

Ao longo desta parte, o termo "o estrangeiro dentro" designa uma condição específica: não quem atravessou uma fronteira, mas quem foi produzido como exterior a partir de dentro. Alguém que habita o território nacional, carrega documentos, paga impostos, fala a língua — mas é sistematicamente tratado como corpo que não pertence. A estrangeiridade, aqui, não é geográfica: é uma classificação política aplicada sobre corpos já presentes. "O estrangeiro dentro" não é quem veio de fora. É quem o Estado decidiu que nunca esteve verdadeiramente dentro — mesmo quando nasceu ali, mesmo quando não tem outro lugar para onde ir.

A crise não é brasileira. Tem endereços em todos os continentes.

Nos Estados Unidos, a segunda administração Trump aprofundou políticas de deportação em massa. O discurso oficial passou a usar termos como "invasão" e "contaminação cultural". A mesma sociedade que depende do trabalho imigrante para colher, limpar, cuidar, construir e servir é a mesma que humilha publicamente o imigrante para preservar a fantasia de superioridade. Mas seria desonesto reduzir os EUA a esse retrato: eles também têm uma tradição robusta de judicialização de direitos, ações coletivas e pressão civil que produziu avanços imensos — do abolicionismo ao Civil Rights Act, de Rosa Parks ao Black Lives Matter.

Na Europa, a ascensão da extrema-direita em França, Itália, Hungria, Países Baixos e Alemanha transformou discursos marginais em política de governo. O Mediterrâneo virou cemitério: dezenas de milhares de mortes documentadas desde 2014, pessoas que fugiram de guerras para afogar no mar burocrático e físico das fronteiras europeias.

No Líbano e nos países do Golfo, trabalhadores migrantes vivem sob o sistema Kafala — que impede o trabalhador de mudar de empregador ou deixar o país sem autorização do patrão. Uma forma contemporânea de servidão com legitimidade institucional.

Na Ásia, a xenofobia assume formas próprias, moldadas por histórias de imperialismo, hierarquia étnica e ansiedade nacional. No Japão, os zainichi — descendentes de coreanos que vivem no país há gerações, muitos nascidos em solo japonês — continuam a enfrentar discriminação sistémica no acesso ao emprego, à habitação e à naturalização, num país que resiste estruturalmente à ideia de si mesmo como nação de imigração. Na Coreia do Sul, trabalhadores migrantes — sobretudo do Sudeste Asiático — operam sob contratos que limitam a mobilidade laboral de modo análogo ao Kafala do Golfo: chegam com um contrato, ficam presos a um empregador, e partem invisíveis. Na China, a tensão com as minorias étnicas internas — uigures no Xinjiang, tibetanos no Tibete — expõe como o Estado pode fabricar o "estrangeiro dentro", transformando cidadãos em suspeitos ontológicos por razão de língua, crença e genealogia. Na Índia, o estatuto de cidadania foi reformulado em 2019 pela Lei de Cidadania por Emenda (CAA) de modo explicitamente discriminatório: concede proteção a refugiados de países vizinhos com base na religião, excluindo os muçulmanos — uma estrangeirização de pleno direito sancionada pelo Estado. Em todos esses contextos, o que se produz não é apenas ódio espontâneo: é arquitetura institucional do pertencimento, decidindo quem conta como nacional e quem permanece perpetuamente de passagem.

Em todos esses casos emergem três padrões estruturais que se repetem: o bode expiatório econômico, a digitalização do ódio e a cumplicidade institucional.


Parte VII — A Lei Que o Brasil Tem (e Pouco Usa)

Em 2017, o Brasil aprovou a Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017), substituindo o Estatuto do Estrangeiro de 1980 — que tratava o imigrante primariamente como risco à segurança nacional. A nova lei adotou uma perspectiva de direitos humanos: reconhece ao imigrante o direito à documentação, à saúde, à educação, ao trabalho formal, à reunificação familiar e ao acesso à Justiça.

Na prática, a distância entre o texto da lei e a realidade do boliviano na oficina de costura ou do venezuelano em Pacaraima é imensa. A lei existe. A infraestrutura para aplicá-la, muitas vezes, não.

O Brasil tem ainda o CONARE (Comitê Nacional para os Refugiados), que reconhece o status de refugiado e coordena políticas de integração; o OBMigra (Observatório das Migrações Internacionais), vinculado ao Ministério do Trabalho, que produz dados sobre fluxos migratórios; e a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, criada pelo ACNUR em parceria com universidades brasileiras, que forma especialistas em direito dos refugiados. Essas estruturas existem e podem ser acionadas. O que falta não é legislação — é a decisão política e cultural de levar a sério o que está escrito.


Parte VIII — A Máquina que Fabrica Bodes Expiatórios

Há uma camada do problema que merece atenção especial: a relação entre automação, desemprego e xenofobia.

O agronegócio mecaniza-se a uma velocidade impressionante. As mesmas fazendas que há vinte anos empregavam centenas de trabalhadores hoje funcionam com meia dúzia de operadores de máquina e um software de gestão. Na indústria, robôs substituíram funções que pareciam insubstituíveis. No setor de serviços, assistentes virtuais e algoritmos dispensaram profissionais em escala crescente.

Isso cria um problema político: a crise real é abstrata, complexa, difícil de transformar em slogan. Ninguém consegue odiar um algoritmo. Mas consegue odiar o vizinho venezuelano que "roubou o emprego". O líder político que quiser rentabilizar essa angústia tem um atalho fácil: não explica a estrutura, aponta um rosto. O imigrante vira o nome de uma crise cujo endereço verdadeiro é Silicon Valley — não Caracas.


Parte IX — O Que Fazemos com Isso

Uma política contra a xenofobia não pode ser apenas campanha com crianças sorrindo e bandeiras coloridas. Isso é bonito e insuficiente. É preciso uma arquitetura social contra a desumanização, com pelo menos seis eixos.

O eixo educacional não é moralismo sobre tolerância, mas história ensinada de frente — como sociedades cultas produziram barbárie, como democracias morreram por dentro, como piadas se tornaram políticas. O estudante precisa aprender que o horror não começa com monstros; começa com cidadãos comuns que abandonam a imaginação moral.

O eixo institucional exige que Estados tratem imigração, refúgio e mobilidade humana como políticas públicas permanentes, não como emergências improvisadas. A Lei 13.445/2017 existe — mas precisa de orçamento e de integração entre os órgãos que deveriam executá-la.

O eixo digital e regulatório reconhece que as plataformas não podem continuar a lucrar com o ódio sem responder pelo dano. Isso não é censura: é responsabilização civil. O mesmo princípio que responsabiliza um veículo de comunicação por uma calúnia publicada se aplica, com os devidos ajustes, a uma plataforma que amplifica algoritmicamente conteúdo que incita violência contra grupos.

O eixo urbano e laboral parte de uma constatação simples: não há fraternidade sustentável em fila de hospital colapsado. Combater xenofobia exige política social universal e bem financiada — para o imigrante e para quem já estava lá.

O eixo da transição tecnológica passa por requalificação profissional massiva, renda de transição para trabalhadores deslocados pela automação e tributação sobre os lucros gerados por inteligência artificial. Sem isso, o imigrante será eternamente bode expiatório de uma crise fabricada em outro lugar.

O eixo simbólico é disputar a narrativa do pertencimento. O Brasil não é uma essência fixa ameaçada pelo estrangeiro. É um processo histórico feito de encontros violentos, misturas forçadas, migrações, diásporas, apagamentos e resistências. A ameaça não é o estrangeiro descaracterizar o país. A ameaça é substituir esse processo — contraditório e ainda aberto — por uma imagem limpa e coerente do que o país supostamente sempre foi.

    

Parte X — A Crise da Imaginação Democrática

Há um fio que costura todos esses cenários e que a história alemã conhece com particular intimidade: o bipolarismo político como antessala da catástrofe. Quando uma sociedade se fragmenta em dois blocos que se reconhecem não como adversários, mas como inimigos existenciais, o espaço da deliberação democrática colapsa. A República de Weimar — laboratório involuntário dessa dinâmica — viu comunistas e nacional-socialistas destruírem sistematicamente o centro, cada qual convencido de que qualquer meio era legítimo para impedir a vitória do outro. O resultado não foi a vitória da esquerda nem da direita: foi a vitória do ódio sobre a política. Hannah Arendt chamou atenção para o modo como o totalitarismo não nasce do excesso de convicção, mas do vazio de pensamento — do momento em que as pessoas param de deliberar e passam a obedecer à lógica tribal do campo. O bipolarismo não é apenas divisão: é a fábrica do bode expiatório. Quando dois blocos se odeiam com ardor suficiente, sempre emerge um terceiro — o imigrante, o diferente, o de fora — sobre quem ambos os lados podem eventualmente convergir. A xenofobia, tantas vezes, é o armistício tácito das guerras culturais internas.

A imaginação democrática é a capacidade de reconhecer no outro — no diferente, no recém-chegado, no que fala com sotaque — um portador de dignidade igual. Não por simpatia sentimental, mas por decisão política e jurídica: porque é o que uma democracia exige.

Quando essa imaginação falha, a democracia entra em crise antes de qualquer eleição. A desumanização começa quando paramos de imaginar o outro como sujeito e passamos a vê-lo como categoria. Uma categoria pode ser administrada, expulsa, ignorada. Um sujeito não.



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Arendt observou que o totalitarismo não começa com gulags e câmaras de gás. Começa com a decisão de que certas pessoas são supérfluas. O caminho entre o "deportem ela" dito online e as consequências institucionais dessa lógica não é uma fronteira intransponível. É uma rampa. E como Niemöller nos lembrou com o peso de quem quase não voltou para contar: quando chegam por você, o silêncio que você cultivou nos outros já não serve de nada.

 




Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional (CC BY-NC 4.0).

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Resenhas

Gordon Allport — A Natureza do Preconceito (1954; Vozes). O livro fundador da psicologia social do preconceito. A escala de Allport — de antilocução ao extermínio — é a ferramenta analítica mais útil para quem quer entender como o discurso de ódio se normaliza antes de se tornar violência.

Hannah Arendt — Origens do Totalitarismo (1951; Companhia das Letras). Escrito com as cinzas ainda quentes, é um dos maiores exercícios de pensamento político do século XX. Indispensável para entender como a desumanização se torna programa de governo.

C. Wright Mills — A Imaginação Sociológica (1959; Zahar). O antídoto contra a confusão entre problemas pessoais e questões estruturais. Ensina a encontrar o endereço certo para o problema.

Ernesto Laclau — A Razão Populista (2005; Três Estrelas). A análise mais sofisticada de como o populismo constrói identidade através do inimigo. Essencial para entender Trump, Bolsonaro e todos os seus equivalentes ao redor do mundo.

Christopher Browning — Homens Comuns (1992; Record). O livro mais perturbador desta lista — e o mais necessário para quem acredita que a crueldade é coisa de gente especialmente má.

Shoshana Zuboff — A Era do Capitalismo de Vigilância (2019; Intrínseca). A análise mais completa de como as plataformas digitais funcionam e o que fazem com o comportamento humano.

Silvio Almeida — Racismo Estrutural (2018; Pólen). Curto, direto, essencial para qualquer discussão sobre desigualdade racial no Brasil contemporâneo.

Jessé Souza — A Ralé Brasileira (2009; UFMG). Uma sociologia da desigualdade de classe no Brasil que ninguém quer ler — e todo mundo deveria.

Florestan Fernandes — A Integração do Negro na Sociedade de Classes (1964; Globo). Desmonta a ideia de que o Brasil superou o racismo com a abolição.

Georg Simmel — "O Estrangeiro" (1908). Um ensaio de dez páginas que nenhum século de sociologia superou. Disponível gratuitamente online.

Adela Cortina — Aporofobia: a Rejeição ao Pobre (2017; Contracorrente). O livro que deu nome ao fenômeno que todo brasileiro reconhece mas raramente nomeia.

Lei de Migração — Lei nº 13.445/2017. Disponível gratuitamente no Planalto.


Fontes Jornalísticas e Documentais Utilizadas

HOLLAND, Jad; HOLLAND, Hansen. Relato de experiências de xenofobia nas redes sociais. Caso documentado e analisado no presente trabalho. [https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2026/05/05/deportem-ela-brasileira-casada-com-americano-expoe-xenofobia-nos-eua.ghtm .]

CNN. Exclusive: People for sale — Where lives are auctioned for $400. Investigação sobre escravatura na Líbia. CNN International, novembro de 2017. [https://edition.cnn.com/2017/11/14/africa/libya-migrant-auctions]


Índice Remissivo

(Vocabulário central do trabalho — organizado em ordem alfabética com remissão às partes do texto)

A Afrofobia — ódio entre africanos; fenômeno documentado na África do Sul contra imigrantes moçambicanos, zimbabweanos, nigerianos e congoleses → Panorama Global Algoritmos — sistemas de mediação digital que monetizam o conflito identitário e amplificam o discurso de ódio; conceito central em Zuboff → Resenhas; Parte V; Parte XI Antilocução — primeiro estágio da escala de Allport; discurso hostil que precede e normaliza formas mais graves de preconceito → Resenhas; Parte II Aporofobia — hostilidade e rejeição ao pobre; fenômeno distinto da xenofobia mas frequentemente sobreposto → Parte II; Parte IV Automação — substituição de trabalho humano por máquinas e inteligência artificial; motor de desemprego estrutural que alimenta a xenofobia → Parte VIII; Parte IX

B Bode expiatório — mecanismo pelo qual crises econômicas são atribuídas ao imigrante ou à minoria étnica, desviando a atenção das falhas sistêmicas → Parte V; Parte VIII Bolsonarismo — referência ao fenômeno político brasileiro como expressão da lógica populista de Laclau aplicada ao contexto nacional → Parte V; Parte VI

C Capitalismo de vigilância — conceito de Zuboff; sistema que extrai dados comportamentais humanos como matéria-prima e os converte em previsão e modificação do comportamento → Resenhas; Parte V Conformidade — mecanismo psicossocial descrito por Browning e Milgram; explica a participação de pessoas comuns em violência coletiva → Resenhas; Parte V Crise da imaginação democrática — conceito nuclear do trabalho; incapacidade de uma sociedade de reconhecer no outro um portador de dignidade igual → Título; Parte X

D Democracia racial — mito brasileiro de harmonia inter-racial e tolerância; confrontado criticamente ao longo do trabalho → Parte IV Desumanização — processo pelo qual um grupo humano é despojado de atributos de humanidade plena; categoria central em Arendt → Resenhas; Parte III; Parte V; Parte X Digitalização do ódio — amplificação e organização do discurso xenófobo pelas redes sociais; padrão estrutural identificado no panorama global → Parte VI Discurso de ódio — expressão verbal, simbólica ou digital que desumaniza grupos; objeto de regulação pelo direito internacional → Parte VI; Instrumentos Jurídicos

E Elite do poder — conceito de Mills; análise da oligarquia dissimulada que opera por detrás das democracias formais → Resenhas; Parte V Escala do preconceito (Allport) — sequência de cinco estágios: antilocução → evitação → discriminação → violência → extermínio → Resenhas; Parte II Estrangeirização social — conceito proposto no trabalho; processo pelo qual uma sociedade transforma determinados grupos em intrusos dentro de espaços que formalmente também lhes pertencem → Parte I; Parte II; Parte IV

F Fronteira identitária — distinção entre "nós" e "eles" constitutiva de toda política, segundo Laclau; torna-se patológica quando se converte em hierarquia ontológica → Resenhas; Parte V; Parte X

H Hegemonia — conceito de Laclau e Mouffe; articulação de demandas heterogêneas em torno de um significante vazio capaz de construir identidade coletiva → Resenhas; Parte V Hipótese do contato (Allport) — proposição de que o preconceito diminui quando grupos diferentes interagem em condições de igualdade de status, objetivos comuns e apoio institucional → Resenhas; Parte IX

I ICERD — Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (ONU, 1965) → Instrumentos Jurídicos Imaginação sociológica — conceito de Mills; capacidade de ligar problemas pessoais a questões públicas, e biografia individual a estrutura histórica → Resenhas; Parte I; Parte X Islamofobia — hostilidade dirigida especificamente a muçulmanos; documentada na Europa e nos EUA → Parte VI

K Kafala — sistema de vínculo laboral nos países do Golfo Pérsico que impede o trabalhador migrante de mudar de empregador ou sair do país sem autorização; forma contemporânea de servidão → Parte VI

L Lei de Migração (Brasil, Lei nº 13.445/2017) — marco legal brasileiro que substituiu o Estatuto do Estrangeiro e adotou perspectiva de direitos humanos → Parte VII; Instrumentos Jurídicos Loving v. Virginia (1967) — decisão da Suprema Corte dos EUA que declarou inconstitucionais as leis que proibiam casamentos inter-raciais → Parte VI

M Miscigenação — no contexto norte-americano, historicamente criminalizada; no contexto brasileiro, mitificada como fundamento da democracia racial → Parte IV; Parte VI Mito da cordialidade — representação do brasileiro como naturalmente hospitaleiro e tolerante; identificada no trabalho como obstáculo ao reconhecimento da xenofobia interna → Parte IV

N Naturalização do presente — conceito derivado de Mills; incapacidade de perceber que o que existe poderia ser diferente e que o que parece impossível já aconteceu → Resenhas; Parte X Necropolítica — conceito de Mbembe; poder soberano de determinar quem pode viver e quem deve morrer; aplicado à análise das fronteiras e das mortes de migrantes → Parte VI Nativismo — ideologia que privilegia os "nativos" em detrimento dos imigrantes; ressurgente nos EUA com a administração Trump 2.0 → Parte VI

O Observatório Nacional de Xenofobia e Estrangeirização Social — proposta institucional desenvolvida no trabalho; infraestrutura analítica permanente com funções de monitoramento, análise, intervenção qualificada e publicização → Parte IX Ódio social — conceito do trabalho; hostilidade estruturalmente produzida e politicamente rentabilizada contra grupos percebidos como ameaça à identidade ou aos recursos do grupo dominante → Título; Partes V, VI

P Plataformas digitais — infraestruturas tecnológicas que amplificam o discurso de ódio ao monetizar o conflito; objeto de regulação proposta no trabalho → Parte V; Parte VI; Parte IX Populismo — segundo Laclau, lógica política que divide o espaço social entre "o povo" e um adversário; não é nem de direita nem de esquerda por natureza → Resenhas; Parte V Pressão de grupo — mecanismo psicossocial central em Browning; explica a conformidade com a violência coletiva sem recurso a monstros morais → Resenhas; Parte V

R Racismo — hierarquização com base em características raciais; distinto da xenofobia e da aporofobia, embora frequentemente sobreposto → Parte II; Parte IV Regionalismo discriminatório — hostilidade contra pessoas de determinadas regiões internas de um mesmo país; forma de xenofobia interna documentada no Brasil (nordestinos em São Paulo) → Parte II; Parte IV; Parte VI Refugiado — pessoa que se encontra fora de seu país por fundado temor de perseguição; estatuto regulado pela Convenção de 1951 e pela Lei nº 9.474/1997 → Parte VI; Parte VII; Instrumentos Jurídicos Robotização → ver Automação

S Significante vazio — conceito de Laclau; termo que condensa múltiplas demandas heterogêneas sem as especificar; permite a construção de identidades coletivas amplas → Resenhas; Parte V Solidariedade de grupo — virtude humana que, segundo Browning, pode ser sequestrada para fins de violência coletiva → Resenhas; Parte V Subcidadania — condição de integração incompleta à cidadania plena; conceito de Jessé Souza aplicado ao imigrante, ao refugiado e ao migrante interno → Parte IV

T Totalitarismo — regime que destrói a pluralidade humana e o espaço público; analisado por Arendt como produto da desumanização gradual → Resenhas; Parte III; Parte X Trump 2.0 — referência à segunda administração Trump (iniciada em 2025); contexto político que legitimou discursos xenófobos e intensificou deportações em massa → Parte VI

U UNHCR/ACNUR — Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados; organismo internacional de referência para proteção de refugiados → Parte VII; Instrumentos Jurídicos

V Vulnerabilidade econômica — condição estrutural que torna populações receptivas à xenofobia como explicação dos seus problemas → Parte VI; Parte VIII; Parte IX

X Xenofobia — hostilidade ao estrangeiro ou ao percebido como estrangeiro; conceito nuclear do trabalho, distinto, mas sobreposto ao racismo, à aporofobia e ao regionalismo discriminatório → todo o texto Xenofobia interna — fenômeno pelo qual grupos nacionais são tratados como estrangeiros dentro do próprio país; manifestação da estrangeirização social → Parte II; Parte IV; Parte VI