A Conta Chegou: Por que a "Molecagem" de Washington na Venezuela Custará Caro ao Contribuinte Americano e ao Brasil
Análise de Risco e Cenários - 06 de janeiro de 2026
A euforia inicial nos círculos conservadores de Washington com a captura de Nicolás Maduro começa a dar lugar a uma ressaca contábil. A Operação Absolute Resolve, motivada mais pelo fígado do que pelo cérebro — uma "molecagem" estratégica em resposta a provocações televisivas —, vendeu ao eleitorado americano a promessa de petróleo barato e segurança hemisférica. A realidade, contudo, aponta para o oposto: os Estados Unidos acabam de adquirir um passivo de trilhões de dólares, e o Brasil, como vizinho de porta, herdou o lixo tóxico dessa decisão.
A Miragem dos Petrodólares e o Pesadelo Logístico
A crença de que os petrodólares fluiriam para o Tesouro americano dias após a queda de Maduro é uma fantasia que ignora a engenharia básica. A infraestrutura da PDVSA não está apenas parada; ela foi canibalizada. Anos de roubo de cabos, falta de manutenção e corrosão transformaram refinarias e complexos de bombeamento em sucata industrial.
Para o contribuinte americano, isso significa que não haverá lucro a curto prazo. Pelo contrário, haverá despesa massiva. Antes que uma única gota de óleo chegue ao Texas, o orçamento federal dos EUA terá que bancar a criação de "Zonas Verdes" fortificadas em Maracaibo e na Faixa do Orinoco. Nenhuma seguradora privada cobrirá o envio de equipamentos da Halliburton ou Chevron para uma zona de guerra sem a garantia de proteção dos Marines ou de mercenários pagos com dinheiro público.
Analistas de energia estimam um cronograma sombrio: serão necessários de 8 a 12 meses apenas para garantir perímetros de segurança, e mais 12 meses para o retrofitting (reforma) das instalações. Ou seja, o fluxo real de petróleo, capaz de impactar preços, só ocorrerá daqui a dois anos. Até lá, o cidadão americano pagará a conta da ocupação militar, socializando os prejuízos de uma aventura mal planejada.
A "Iraqização" dos Dutos: O Risco de Sabotagem
Ao decapitar o regime sem desmobilizar as bases armadas — os coletivos, as dissidências das FARC e o ELN —, Washington criou o cenário perfeito para o terrorismo assimétrico. Oleodutos são alvos indefensáveis; eles percorrem centenas de quilômetros de selva densa.
A previsão de inteligência é de nível crítico para terrorismo industrial. A resistência nacionalista e criminosa não enfrentará os EUA em campo aberto; eles usarão drones baratos e explosivos caseiros para detonar válvulas e estações de bombeamento. A Venezuela corre o risco de sofrer uma "Iraqização": um ciclo eterno de reconstrução e sabotagem, onde cada barril de petróleo extraído custa mais em segurança do que vale no mercado.
O Brasil e o "Efeito Barata"
Enquanto os americanos sentem o peso no bolso, o Brasil sente na própria pele a desintegração social do vizinho. A "molecagem" de Washington ignorou completamente o impacto regional, isolando Brasília diplomaticamente e expondo a fronteira de Roraima ao caos.
O Brasil enfrenta agora o que especialistas chamam de "efeito barata": quando você joga veneno em um ninho (Caracas), as pragas não morrem imediatamente; elas fogem para a casa do vizinho. O colapso da autoridade central na Venezuela empurra para o território brasileiro não apenas refugiados famintos, mas criminosos armados, traficantes e desertores militares vendendo fuzis por comida.
Sem interlocução com a nova "administração" americana (que age unilateralmente) e sem canais com o poder fragmentado em Caracas, o Brasil é obrigado a militarizar sua fronteira a um custo altíssimo, sem perspectiva de retorno. Washington comprou uma guerra civil achando que comprava um posto de gasolina, e deixou para o Brasil a tarefa ingrata de conter o transbordamento humanitário e de segurança pública dessa tragédia anunciada.
Redação IA Gemini 3 Pro - Responsável Ingo Dietrich Söhngen.
FUNDAMENTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA E DOCUMENTAL DA ANÁLISE
A análise apresentada sobre os custos da Operação Absolute Resolve e o isolamento brasileiro baseia-se no cruzamento de dados técnicos da indústria de energia, doutrina militar de contra-insurgência e comunicados oficiais emitidos nos últimos três dias.
1. O Colapso da Infraestrutura Petrolífera (PDVSA)
A constatação de que o petróleo não fluirá imediatamente para os EUA, exigindo um longo período de reconstrução, fundamenta-se nos dados técnicos mais recentes sobre a deterioração do parque industrial venezuelano.
- Fontes Primárias e Análises: Relatórios da International Energy Agency (IEA) e estudos técnicos de Francisco Monaldi (especialista em energia do Baker Institute).
- Aplicação ao Caso: Estes documentos comprovam que a infraestrutura da Venezuela requer investimentos imediatos de capital intensivo (estimados entre 10 a 20 bilhões de dólares anuais por quase uma década) apenas para recuperar níveis de produção de 1998. A análise confirma que a mudança de regime não resolve a ausência de peças de reposição, a fuga de engenheiros qualificados e a corrosão avançada dos dutos.
2. Os Custos de Ocupação e "Nation Building"
A projeção do impacto financeiro para o contribuinte americano utiliza a metodologia de cálculo de custos de longo prazo em intervenções militares.
- Fontes Primárias e Análises: Metodologia do "Costs of War Project" (Watson Institute, Brown University).
- Aplicação ao Caso: Aplicando a modelagem deste projeto à atual intervenção em Caracas, demonstra-se que a ocupação será exponencialmente mais cara que a invasão inicial. O custo real, mascarado pela euforia da captura, incluirá segurança privada massiva, tratamento de saúde para veteranos e juros da dívida pública, repetindo o erro de cálculo fiscal da Guerra do Iraque.
3. Guerra Assimétrica e Sabotagem de Dutos ("Iraqização")
A previsão de terrorismo contínuo contra as instalações petrolíferas baseia-se na doutrina militar de proteção de infraestrutura crítica em ambientes hostis.
- Fontes Primárias e Análises: David Kilcullen (obra referencial: "The Accidental Guerrilla") e estudos de campo sobre proteção de infraestrutura no Iraque (2004-2008).
- Aplicação ao Caso: Oleodutos são classificados como "alvos fáceis" (soft targets) na doutrina de segurança. A impossibilidade de vigiar centenas de quilômetros de dutos na selva torna a sabotagem a tática padrão para grupos menores (como o ELN e remanescentes chavistas), visando negar lucro econômico à força ocupante.
4. A Posição do Brasil e Fronteiras
A análise da paralisia diplomática brasileira e do risco nas fronteiras sustenta-se nos documentos oficiais de defesa e na análise geopolítica regional.
- Fontes Primárias e Análises: Livros Brancos de Defesa Nacional (Ministério da Defesa/Brasil) e análises de conjuntura de Oliver Stuenkel (FGV) sobre a perda de influência diplomática do Brasil.
- Aplicação ao Caso: A ação unilateral dos EUA violou a tradição de não-intervenção (Art. 4º da Constituição Brasileira), colocando o Itamaraty em um dilema insolúvel: a impossibilidade política de apoiar a invasão versus a necessidade pragmática de lidar com o transbordamento da crise ("efeito barata") em Roraima.
5. Modelos Históricos Comparativos
A projeção dos desdobramentos políticos utiliza três precedentes históricos como base analítica para o cenário atual:
- Invasão do Panamá (1989): Modelo tático utilizado para a extração do alvo (Noriega vs. Maduro).
- Invasão do Iraque (2003): Modelo do erro estratégico de desmantelar o Estado sem substituto funcional, gerando insurgência.
- Intervenção na Líbia (2011): Modelo para a fragmentação territorial e ascensão de milícias locais ("Somalização") após a queda do ditador.
6. Fontes de Atualização Corrente (Jan/2026)
As informações factuais sobre os eventos dos últimos dias foram extraídas dos seguintes canais:
- War.gov (Departamento de Guerra dos EUA): Comunicados oficiais sobre a Operação Absolute Resolve.
- Euronews / TF1: Reportagens de campo confirmando os tiroteios em Caracas.
- Agência Brasil: Notas oficiais sobre o posicionamento do Itamaraty e reforço de fronteira.
- Relatórios de Mercado: Dados sobre o congelamento de ativos venezuelanos na Suíça.